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Seg, 22 de Junho de 2009 22:58    PDF Imprimir E-mail
O jugo leve

“Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas cansadas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. (S. MATEUS, cap. XI, vv. 28 a 30)

 

Depois de termos estudado no capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Bem-aventurados os aflitos –, o qual fala sobre a justiça das aflições, fomos informados que ninguém sofre por acaso e que não existe um Deus que se deleita ao nos ver sofrendo.

Ao contrário, aprendemos que Ele é um Pai misericordioso que nos ama. Como um pai encarnado consciente, que nos permite assumir as consequências de nossas atitudes para evoluir, não nos encobre as faltas. Com estas explicações e outras tantas que encontramos no referido capítulo, temos mais facilidade para compreender as palavras de Jesus. Todo sofrimento representa libertação e provoca-nos desconforto, mas não tristeza. A passagem evangélica sobre “O jugo leve” nos mostra de que forma iremos fazer isto: sendo brandos (pacíficos, mas operosos) e humildes (reconhecendo que acima de nós existe Deus que não nos desampara nunca).


Podemos compreender o significado da palavra humildade da seguinte forma: crença que existe uma força acima de nós. Esta força rege o Universo e devemos nos submeter a ela com resignação, sem revolta.


Quando compreendermos a amplitude da frase “Nada nos acontece por acaso!”, não nos revoltaremos mais com a Divindade. Mas alguns de nós podem afirmar neste momento: “Mas eu não me revolto contra Deus! Minha revolta é contra esta miséria de vida, doença, emprego ruim” ou qualquer outra coisa que esteja lhes incomodando. Mas tudo que existe faz parte das Leis da Natureza e consequentemente das Leis de Deus (questão 617 de “O Livro dos Espíritos”). Nossa encarnação é uma plantação constante. É diferente das lavouras tradicionais; tudo o que plantamos produz resultados. Tudo mesmo. De bom ou de ruim. Só que nos esquecemos do bom e só lembramos do ruim quando reclamamos que a vida não é do jeito que gostaríamos que fosse. Pode não ser, mas é do jeito que precisamos para intensificar o nosso aprendizado, necessário para evolução e desvencilhamento das amarras que nos prendem ao passado. “As heranças do passado espiritual ressumam em manifestações cármicas, que devem ser enfrentadas naturalmente por fazerem parte da vida, elementos essenciais que são constitutivos da existência.” (Trecho extraído do livro “O homem integral”, de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo P. Franco, item: Leis Cármicas e Felicidade)


“Entretanto faz depender de uma condição a sua assistência e a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei por ele ensinada. Seu jugo é a observância dessa lei; mas, esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, capítulo VI, item 2). A responsabilidade por sermos felizes ou não, é nossa. Mesmo que estejamos vivendo problemas cruciais no momento, a escolha de nos entregarmos ao sofrimento ou não depende de nós. Conversava com uma amiga justamente sobre este assunto: a amargura com que algumas pessoas enxergam a vida. Tudo está ruim, nada serve, nada presta. Aquele que realmente compreende, que o momento que vivemos é de aprendizado e não de final de semana em Fernando de Noronha com todas as despesas pagas, entenderá que somente através do trabalho árduo, individual e progressivo iremos alcançar a libertação desses mesmos sofrimentos que agora reclamamos. Reclamar não resolve. Atitude positiva perante a vida, sim.


E é esta mensagem que Jesus deixa explicitada nesta passagem evangélica. Não devemos permitir fazer-nos de “coitadinhos”. Se somos filhos de Deus, ajamos como tais. E nem permitamos que outros nos tratem assim. Podemos não conseguir alterar, no momento, o que estamos vivendo, mas iremos plantar para dias melhores no porvir. Mesmo que isto signifique “remar contra a maré”. O barco de nossas vidas é conduzido por nós mesmos e mais ninguém. No final prestaremos conta à nossa consciência, de nossas atitudes. Tenhamos ânimo de vida. A tristeza, a melancolia e a revolta contumaz, provocam-nos marcas profundas, difíceis de serem apagadas. Se estamos vivendo um momento ruim, lembremos que Deus não nos desampara e confia em nós. Sigamos resolutos e confiantes também.

 

Walkiria Lúcia de Araújo Cavalcante

Fonte: Jornal O Clarim - abril de 2009

http://www.oclarim.com.br/index.php?id=7&tp_not=1&cod=398



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